sábado, 18 de outubro de 2014

A Maldição De Elizabeth. Capítulo 1, Parte 1.

 Foto de Fernanda Brussi.

Os Cabelos negros se soltavam do coque que ela havia feito durante a manhã. Ela soltou as longas madeixas e começou a examinar a sua pele: Perfeita. Incrivelmente branca, sem nenhuma mancha. Elizabeth sabia que era linda e tirava vantagens com isso. Todos os homens do reino a cortejavam, e ela já havia tido relações com a metade deles.



 Ela estava sentada na banquinha de sua penteadeira, e se admirava no espelho. Houve uma batida na porta de seu quarto.

- Elizabeth, a senhorita está ai? - Falou a sua empregada, por trás da porta.

- Sim Mary, entre! - Mary era jovem, uns quatro anos mais nova que Elizabeth, e isso a fazia se sentir um pouco velha. Elizabeth tinha pavor da velhice, ela não queria que a sua beleza acabasse.

- O senhor seu pai estava preocupado. A senhorita saiu sem avisar...

- Pois é Mary. Há ocasiões em que nós precisamos fazer isso. - Falou Elizabeth com ar esnobe.

- Ele acha que a senhorita saiu para se encontrar com outro homem do reino... - Disse Mary, e na mesma hora em que ela acabou de pronunciar essas palavras, uma pontada de raiva invadiu Elizabeth.

- Ouça bem as minhas palavras mulherzinha: Você não tem o direito de falar assim!

- Perdão senhori... - Elizabeth não esperou Mary terminar a frase e lhe deu uma tapa no rosto que foi tão forte ao ponto de derrubar a pobre empregada.

- Se eu estava envolvida com outro homem, é porque sou bonita. Eu possuo muitos admiradores, tanto homem quanto mulher. Eu me relaciono com eles porque quero e afinal, eu sou jovem e tenho que me divertir. - Falou Elizabeth. Mary estava chorando com a mão no rosto. - Não sou uma pobre coitada igual a você!

 Elizabeth saiu do quarto e Mary ficou caída no chão soluçando.



- Mary falou com você? - Perguntou Anna, mãe de Elizabeth. As duas estavam no jardim conversando.
Anna era magra e alta. Possuía longos cabelos negros ondulados, o qual Elizabeth herdara. Os olhos eram castanhos e a pele branca.
O jardim ficava atrás do castelo. Quem cuidava das flores era a própria Anna, que fazia questão de cuidar de tudo sozinha. Elizabeth quando era criança costumava arrancar as flores, e a sua mãe ficava muito aborrecida.
As duas andaram até um banco que havia embaixo de uma árvore do outro lado do jardim, e lá se sentaram.
- Sobre o quê? – Perguntou Elizabeth.
- Sobre... A sua saída de hoje. - Elizabeth pensou, pensou no que ia dizer e uma ideia surgiu em sua mente.
- Não mamãe. Eu nem vi a Mary hoje. A senhora sabe dela? – Mentiu Elizabeth. Não queria falar sobre essa mulher inútil. Elizabeth não gostava de Mary desde que a menina começou a servir a família.
- Sim, eu sei. Quando você chegou, eu a mandei falar com você. – Disse Anna.
- Ela não esteve no meu quarto. - Disse Elizabeth.
Anna ficou um tempo calada, olhando para as mãos magras.
- Filha, eu e seu pai estamos muito preocupados com você. – Falou Anna quebrando o silêncio.
Elizabeth tentou parecer desentendida.
- Por qual razão mamãe?
Anna respirou fundo antes de dizer. Ela falou devagar, como se estivesse pensando em quais palavras deveria usar para se comunicar com a filha.
- Você ultimamente tem sido chamada de... prostituta, pelos homens da cidade.
- O quê? – Falou Elizabeth se levantando.

- Não sei por que você está surpresa. Já era de se esperar. – Anna se levantou também.

- Mas... Eu não fiz nada! - Falou Elizabeth se alterando.

- Você tem saído com quase todos os homens do reino, Elizabeth! O que você queria? Ser chamada de santa?

- Eu sou bonita... – Começou Elizabeth, os olhos incendiados de ódio e indignação.

- Todos sabem disto meu amor. – Falou Anna pondo a mão no rosto da filha. - Mas, não podes deixar a beleza lhe subir a cabeça. Você tem feito muita besteira.

- Eu tenho que aproveitar a minha juventude! - Exclamou Elizabeth.

- Aproveite de outra maneira, esta não é a certa. A tua juventude e beleza não irão ser eternas minha filha...

- Não fale isto mamãe! – Elizabeth empurrou a mão da mãe e se afastou. Ela já estava começando a gritar. - É claro que minha beleza será eterna, e a senhora irá ver! Eu sou capaz de qualquer coisa para continuar a mais bela...

- Já basta! - Falou Anna dando uma tapa no rosto de Elizabeth.
A menina olhou para a mãe, atônita. Era a primeira vez que Anna batia no rosto da própria filha. Mas fora preciso.
- Mamãe...

- Este teu comportamento é inaceitável! Irei conversar com teu pai sobre isto, e você irá aprender a pensar de outra forma. - Anna foi embora e Elizabeth ficou sozinha no jardim. Enxugou uma lágrima que desceu pelo rosto e disse:

- Você vai me pagar mamãe.

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