segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Conto I



Era difícil se imaginar partindo do Engenho Angelim. Tamanha era a tristeza de Faizah (também chamada de Fani por sua senhora Cecília). Durante toda a sua viagem de partida refletiu sobre o que ocorrera. Por que era tão errado que houvesse amor entre ela e Joaquim? Por que para gente de sua cor era inaceitável? Em que momento da história isso se tornou proibido? Tanta infelicidade a fez derramar lágrimas. Lágrimas de dor e ódio. E não, nunca ódio de ter nascido negra. Mas, não é bom começar a contar a história do meio.
Desde seu nascimento Faizah só conheceu um lugar: o Engenho Angelim. O senhor de lá, por nome de Justino, era um produtor de açúcar. Muitos eram seus escravos e escravas. A casa era bem grande, as terras muitas, tudo que era dele era abastado. Casado com Carmela, uma mulher cruel e apegada aos “costumes” e as riquezas. Seus filhos eram: Joaquim e Cecília, ambos muito agradáveis e diferentíssimos de sua mãe. Sendo, Joaquim um homem bonito e de boa estatura como seu pai, já Cecília tinha suas feições mais delicadas como é normal em toda mulher. Ora, quando criança, Cecília notou que Faizah era muito sozinha (E era verdade, todas as outras crianças dos escravos eram meninos) e como sempre teve bom coração, Cecília sempre ia ver Faizah na cozinha, que era o lugar onde ela sempre ficava para ajudar as outras escravas. E sempre que a ama de Cecília via que ela estava brincando com Faizah, lembrava a menina que sua mãe não queria ela na cozinha “conversando com uma escravinha”, palavras da própria Carmela. Em vão. Isso nunca impediu Cecília.
No meio de tanta tristeza, Faizah lembrou-se do dia em que Cecília começou a chama-la de Fani, ainda eram crianças que brincavam escondidas debaixo da mesa quando isso aconteceu. Ao lembrar-se, sorriu um pouco.
- Seu nome ainda me é complicado. Ontem à noite estava pensando e escolhi um, não muito diferente do seu e que é fácil para mim. – Disse Cecília com sua doçura.
- Qual? – Pergunta Faizah, curiosa.
- Fani. O que acha?
- É bonito. Então a partir de hoje, serei Fani. – Elas riram e continuaram suas brincadeiras. Sempre muito apegadas cresceram. Alguns anos depois, quando Cecília tinha por volta de 13 anos, sua ama morreu, deixando a menina desolada. Chorou e ficou reclusa por uns dias. Mãe e irmão tentaram tirá-la daquela situação e ela se recusava. Até que seu pai foi vê-la. Quando a menina pediu para ele que Fani fosse levada até ela e se tornasse sua “dama de companhia”, como ela mesma disse. Para deixar sua filhinha feliz, ele concedeu o pedido apesar de saber que Fani seria como uma escrava pessoal, ao invés de dama de companhia. Como era de se esperar, Carmela odiou a ideia e recriminou Justino severamente, mas, ele a ignorou. Aliás, ele a ignora já tem muito tempo. Faizah consegue lembrar bem do dia em que Justino, pessoalmente, a chamou para ser “dama de companhia” de sua amiga querida. Chegando ao corredor que dava para quarto dela, encontrou a mãe e o irmão de Cecília. “Cecília poderia escolher qualquer pessoa, mas, escolhe justo essa negrinha. Poderia ter escolhido uma das filhas do jardineiro que me servem tão bem e não são de cor como essa tal de Fani, cujo nome eu tenho até náuseas ao pronunciar”, pôde ouvir a senhora Carmela falar. No mesmo momento também ouviu Joaquim, irmão de Cecília, sair em sua defesa. “Por favor, minha mãe, pare de ser tão cruel. Fani, agora, é a companhia que Cecília precisa para sentir-se melhor, serias capaz de privá-la disso?”. Com isso, ele faz a mãe ficar em silencio. Por fim, Fani e Justino aproximam-se deles. O olhar de desprezo da senhora Carmela é imediato e ela não consegue controlar sua língua.
- Estive procurando uma razão para minha filha chamá-la aqui. – Fani não sabia se continuava calada ou se respondia. Até que veio a ordem para que ela dissesse algo. – Diga algo, negrinha.
- Ela é sua filha. Creio que a conheça melhor do que eu.
- Conheço-a bem, de fato, Cecília é tola ainda, não sabe os limites que deve haver entre senhores e escravos. E para pessoas assim, sempre terá alguém por perto tentando tirar proveito da ingenuidade.
- Quero o bem dela, tanto quanto a senhora. – Carmela novamente a olha com desprezo. Tem vontade de dizer tantas coisas, mas vê que Justino não está se agradando disso. Então ela conclui:
- Pois bem, entre. Não lhe darei voto de confiança. Mas, com toda certeza, a observarei. – Justino lança um olhar reprovador sobre Carmela, que não demonstra se importar. Mas, todos sabem que se importa afinal do jeito dela, ela o ama. Eles entram e o semblante de Cecília logo fica mais corado. Seu pai logo percebe que a amiga faz bem, então dá um beijo em sua filha e após isso se volta para Fani e diz:
- Perdoe minha esposa. Ela nem sempre pondera no que vai dizer. – Com isso ele sai do quarto, deixando as meninas sozinhas. Quando chega à noite, elas recebem a visita de Joaquim, que se encontrava muito preocupado com sua irmã, eles conversam um pouco enquanto Fani permanece em silêncio. É neste momento que a chama de uma paixão ascende no coração de Joaquim. Entre um momento e outro, ele nota Fani de cima a baixo. Com olhos negros, a pele não muito negra e não muito branca, cabelos longos e cacheados, lábios carnudos, não exagerados, bonita, sim, muito bonita. Pensava quem pudera ser o pai dela. Pois, ele sabia que Fani tinha nascido ali mesmo em Angelim. Mesmo não sabendo que eram os seres responsáveis pela junção que trouxe Fani ao mundo, a paixão que sentiu por ela foi inevitável. Os dias se passam, e apesar de Cecília estar melhor ela diz não sentir bem, para não ter que voltar ao convívio dos outros e pede a Fani que a ajude na farsa por pelo menos mais uns dias. E todos os dias, Joaquim ia visita-las. Sempre arrumava um jeito de trocar palavras com Fani, que era muito retraída. Foi durante esses dias que o romance foi fortalecido. O sentimento mútuo era percebido por Cecília, que apoiava bastante. Mas, pensar nisso não fez Fani descobrir o que tinha errado. Onde estava o erro?
Olhando ao redor, percebe que chegou ao novo engenho. Chamado de São Lourenço. Não sabia nada sobre o lugar, seu dono, os escravos, nada. Sentia-se completamente sozinha, abandonada. Como poderia Joaquim permitir que o senhor Justino a mandasse embora dessa forma? Apesar do Sr. Justino ter assegurado que seu novo senhor era um bom homem, isso não se tornava menos penoso do que era. Afastá-la de Joaquim e da senhorita Cecília era a coisa mais cruel que poderia acontecer a ela, era o que ela mesma pensava. Pois bem, entrou no casarão, tão luxuoso quanto Angelim, temerosa e deprimida. O que viria após ser apresentada ao senhor da casa? O que ele faria com ela? Teria alguém para conversar? Qual seriam suas novas tarefas? Ela não sabia. Não tinha como saber. Um dos homens que trabalhava para o senhor da casa levou Fani até o escritório onde ele estava. Um homem de meia idade; cabelo preto com leves fios brancos nas laterais; sua feição era agradável, realmente expressava o que tinha sido dito sobre ele; seu corpo parecia mais jovem do que a idade em seu rosto mostrava; olhos claros; barba. Ao mesmo tempo em que Fani o examinou, ele a examinou. Mesmo sendo um homem que viu muitas coisas na vida, ficou surpreso ao ver aquela moça. Tão bela e sendo vendida por um preço baixo. “Qual seria a razão de tamanha desvalorização?”, “O que essa moça causou em sua antiga casa?”, ele se perguntava. Ora, após as conjecturas que um fez do outro, Guilherme, senhor da casa, disse:
- Então, tu és a escrava que veio de Angelim? – Ele a pergunta e, ela responde balançando a cabeça. Ele continua: - Pois bem, deve estar com fome. Viajaste muito.
- Estou bem, senhor, não se preocupe.
- Não é o que seu rosto denota. – Ela se vê sem palavras. De fato, era verdade. O rosto de Fani era pura tristeza e solidão.
- Perdoe-me. – Foi a única coisa que conseguiu dizer. Mas, era estranho.
- Por que me pedes perdão? Fizeste algo errado?
- Não, senhor. – Ela responde. Olhando-a de cima a baixo, ele vê que surgem ainda mais perguntas sobre essa moça. Só saberia se continuasse perguntando.
- O que fazias lá em Angelim?
- Eu era a companhia da filha do senhor Justino, Cecília.
- Companhia? Mas, como?
- Sim, cuidava de suas roupas, arrumava o quarto e também levava suas refeições em sua alcova nos dias em que ela se sentia indisposta. – Isso era o que ela entendia por companhia? Que tola ela pareceu ser aos olhos de Guilherme. – Parece improvável? Também a acompanhava em passeios, aprendi a bordar, dançar e também sei ler e escrever. – Impressionado, Guilherme estava impressionado. E sua feição não disfarçava. – Parece ainda mais improvável?
- Sim. Por que Cecília a permitiu aprender tais coisas?
- Somos amigas. Nunca fui tratada diferente disso, por ela. – Ela faz uma pausa. – Já por sua mãe, eu teria os piores serviços que um escravo poderia realizar. A senhora Carmela me odeia desde... Desde sempre e, finalmente, conseguiu com que eu fosse embora de Angelim.
- Carmela é realmente uma mulher difícil. Minha falecida esposa a odiava. O sentimento era mútuo, por isso, já tem anos que não vou lá. Apesar de ter grande apreço por Justino. – Era realmente isso. Eles conversaram como amigos durante aquela tarde. Guilherme encantou-se por Fani. Amou seu nome de nascença, Faizah. Perguntou sobre seus pais. Entristeceu-se por ela quando soube que ela não conhecia o pai e sua mãe tinha falecido dias após o parto. Também soube o que houve entre ela e Joaquim, sentiu pena de ambos quando soube que Fani partiu antes mesmo do dia clarear. Não houve nem ao menos uma despedida. Ou chance de Joaquim lutar por sua amada. Vendo tudo sendo tratado de forma sigilosa, até um tanto sorrateira, no seu íntimo, Guilherme concluiu que Justino havia mudado bastante. Ele não era homem de tratar as coisas dessa maneira. Que decepção para Guilherme. Por fim, ele resolveu dar a Fani as mesmas obrigações que tinha com Cecília. A única coisa que seria diferente, era a questão da companhia. Ela não poderia esperar que ele a levasse para compromissos.
E num dia, Guilherme entrou em seu quarto e ouviu um choro bem baixo vindo do canto do quarto. Decidiu não atrapalhar e sair silenciosamente, porém viu naquela situação uma oportunidade de aproximar-se de Fani, pois sabia que ela era quem estava lá dentro chorando. Certamente sentia falta de sua vida, Cecília e Joaquim, dele principalmente. Era o momento de mostrar-se o alento ao qual ela precisava. Com voz mansa ele disse:
- Com licença. Posso entrar? – Fani assustada enxugou suas lágrimas o mais depressa possível e voltou a arrumar as roupas de Guilherme, enquanto ele entra no quarto. – Algum problema, Fani? Fizeram-te algo? – Ela balança a cabeça negativamente. – Não esconda nada de mim, sou seu senhor agora.
- Não aconteceu nada a mim. Agradeço a vossa preocupação. – Logicamente, Guilherme não se convenceu daquilo. Então decidiu propor algo:
- Gostaria muito de acreditar em ti, mas não será fácil convencer-me do que afirmas com esse semblante tão abatido. Então não hesite em vir até mim, se houver algo que eu possa fazer. – Ela o assegura que fará, mas, em secreto, Fani pede: “Devolva-me o meu coração, porque ele foi arrancado de mim”.
Passaram-se os dias. E nenhuma solicitação havia sido feita por parte de Fani. No entanto, Fani nota que há grandes esforços de Guilherme em conquista-la. Mas, ela não queria essa atenção que ele lhe dava, os presentes, o cargo de governanta. Ela não se sentia à vontade com tudo aquilo e, obviamente, ele não compreendia. E mesmo não a compreendendo, ele a queria ainda mais! Um desejo que ia além de ser apenas corporal. Ele desejava o coração dela. Sem perceber até sentiu uma ponta de inveja de Joaquim, que havia recebido o amor, as carícias e os sorrisos apaixonados vindos da parte dela. Queria tudo isso para si. Arquitetava vários planos a fim de que ela abrisse o coração para ele e logo após os abandonava. Não era essa a abordagem com Fani. Não era de presentes e nem de favoritismo o que ela gostava. Ela apreciava os sentimentos. Tudo que era necessário para ela: coisas simples e sinceras. Guilherme deveria mostrar para ela o que realmente sentia. Apesar disso, não era o momento. O coração de Fani se fechara e não abriria facilmente.
Então, ele esperou.
Mais dias vieram. E uma visita inesperada mudou o humor de Fani completamente. Cecília! Após tanto tempo, Fani perdeu a esperança de revê-la. Mas, como ficou alegre ao ver sua “irmã de alma”. Um sorriso finalmente foi dado depois de tanto silêncio e melancolia. Suas faces demonstraram a vivacidade que deveria haver em alguém de sua idade. Muitos abraços foram dados. E após as apresentações e perguntas comuns, a felicidade de Fani se viu ameaçada quando Cecília contou-a que sua visita, apesar de tudo, não trazia boas coisas.
- Estou tão feliz em finalmente te ver, Fani. Por certo que deveria ter vindo antes. Mas, por favor, perdoe-me por isso. Explicarei o motivo de não ter conseguido vir antes. – Fani endireitou-se na cadeira e mostrou-se ainda mais interessada na amiga. – Na verdade, não encontrava forças, não encontrava palavras, não encontrava razões. Nada. Nada. – Cecília faz uma pausa longa. E fechando os olhos volta a falar: - Cometi erros em busca da verdade. Contudo, não me sinto errada por ter feito o que fiz!
- Cecília, conte-me logo isso. Aconteceu algo sério, já percebo isso em seu semblante. Agora, fale de uma vez.
- Não somos apenas irmãs de alma. Somos irmãs de sangue! – Nenhuma palavra conseguia sair da boca de Fani. Os sentimentos dela se misturavam a ponto de não serem mais distinguidos. Novamente, Cecília se põe a falar: - Nós demos conta que vosmecê tinha partido. Nosso pai não deu muita explicação, somente disse que precisou vender alguns escravos porque a colheita não tinha rendido o suficiente. Protestei enfurecida. Não eras como as outras para ser mandada embora daquela maneira. Sem ao menos permitir que eu te desse adeus ou que eu a defendesse. Joaquim também cobrou as explicações devidas. E nosso pai, novamente, disse as mesmas mentiras. E como soube que ele mentia? Foste a única a desaparecer da senzala. Fui lá e assuntei. Foste a única! Então, fiquei ainda mais furiosa com nosso pai.
- Sim, é verdade. Parti sozinha. Um dos capatazes de maior confiança do seu pai acordou-me durante a noite, disse que eu precisava ir. O senhor Justino me apareceu para dizer algumas coisas sobre meu destino. Fiquei com medo, mas obedeci. Lá fora, nos estábulos, sua mãe me apareceu e disse que aquilo estava acontecendo porque me meti no que não devia. Entre escravas e senhores não existe amor. Entre outros insultos...
- Descobri mais na mesma noite, enquanto nosso pai e minha mãe conversavam, ele fazia questão de falar em um tom quase inaudível enquanto ela não se preocupava com seu tom, talvez por pensar que já tínhamos ido dormir. E de fato, toda a casa estava apagada, pois era tarde, e somente eu vagava por ela. Sabe que quando fico inquieta, nem o maior dos cansaços me faz dormir. A ouvi dizer que não tinha outra opção e ele não tinha pelo que lamentar. Disse coisas como: “É culpa sua tudo isso ter acontecido”; “Eu lhe alertei”. Obviamente, se referiam a sua pessoa. Depois de minha mãe dizer muitas coisas, ele subiu seu tom de voz para manda-la se calar. Nunca ouvi nosso pai falar tão enfurecido. Seguido disso ele continuou em tom mais calmo: “Sabes que ela é minha filha! Tenha ao menos piedade do meu pesar, Carmela. Achas que me sinto bem? Apesar de nunca ter podido demonstrar, amo-a. Como amo Cecília e também Joaquim. Então, por favor, deixe-me em paz. Mas, não só calando, retirando-se daqui também.” Ela respondeu em seguida: “A ama como ama a Cecília e a Joaquim? Como ousas comparar meus filhos com a filha de uma reles escrava? Era melhor ter insultado a mim, dos piores nomes possíveis do que ter dito isso, Justino. Eu irei embora, sairei daqui como me pedes. Assim, meu respeito por vosmecê também irá, o restante que ainda existia morreu ao colocar meus filhos na mesma classe que aquela escravinha imunda!” Isso doeu muito em mim, Fani. Quando ouvi a porta da alcova se abrir, saí de lá depressa. – Fani a olhava, atônita. Não expressava tristeza, alegria, revolta, nada. Nada vinha da parte dela. Então Cecília continuou seu relato: - Fui ao meu quarto muito pensativa. Decidi que deveria saber mais. Lembrei-me que nosso pai mantinha um diário no seu escritório, procurei quando tive oportunidade e achei. – Ela mostra o diário a Fani. – Li tudo o que tem escrito aqui. Existem algumas partes detalhadas demais... Bom, lendo tive a confirmação. Nosso pai fora apaixonado por sua mãe. Profundamente, Fani. Profundamente. – Fani pega o diário, ainda sem dizer nada. – Descobri que sua mãe se chamava Mara. E ela morreu em seu parto. Tem muitas folhas arrancadas. Não tenho mais detalhes... – Antes que Cecília continuasse, Fani joga o diário no chão! Lagrimas escorrem pelo seu rosto e ela corre. No mesmo momento, Guilherme está descendo as escadas junto com seu amigo, Afonso. Confusos, vão até Cecília e a perguntam o que tinha ocorrido. Cecília apenas diz que trouxe uma noticia muito ruim e tenta ir atrás de Fani, mas Guilherme a impede e se propõe a ir. Apenas para protegê-la. Também pede a Afonso que não saia de perto de Cecília, já que ela se tremia toda, pois temia tê-la perturbado o suficiente para fazê-la cometer insanidades. Enquanto tudo isso acontecia, Fani corria em direção ao lago e Guilherme corria na direção dela. Sem delongas, ela se joga no lago e começa a esfregar seu corpo com suas mãos, chorando, dizendo coisas que Guilherme não conseguia entender, até rasgou partes do seu vestido. Havia fúria nos gestos dela, também arrependimento e muita dor. Quando se aproximou mais, de forma silenciosa, pode ouvi-la dizer:
- Ah! Joaquim! Como eu preferiria a morte a isso! A morte doeria menos do que saber que em nenhuma circunstancia serás meu novamente. Por que, Deus, minha penitência é essa!? Tira a minha vida logo! Pois, é certo que já morri por dentro. Se Joaquim estivesse morto, minha vida seria morrer para igualar-me a ele. E agora? Como eu poderei fazer isso? Então, tira a minha vida. Morrer é menos doloroso do que não ter o meu amado nunca mais! – Guilherme não conseguiu conter-se.
- Fani, por que diz isso? Não deseje tais coisas a si, por favor. – Ele diz.
- Guilherme! – Ela espanta-se. Mas, encontra forças para explicar o porquê de tantas lamentações: - Joaquim é meu irmão! Sou filha de Justino. Entreguei meu corpo ao meu irmão, Guilherme. Meu irmão! Agora, sou uma alma podre. Além de dilacerada, sou podre.
- Mas, tu não sabias. – Ela balança a cabeça negativamente e, aos prantos, senta-se a margem do lago que ficava na propriedade de Guilherme. Ele a acompanha e senta-se ao lado dela que, por sua vez, deixa seu corpo cair no colo dele e sente os braços fortes dele a envolverem. Permanecem calados por um longo tempo, até que ela adormece por conta dos carinhos que Guilherme faz repetidas vezes nos cabelos cacheados dela. Percebendo que ela dorme, a põe em seus braços e a leva para casa. Por aquelas horas, o sol já estava indo, Cecília continuava aflita e Afonso esforça-se para acalma-la. De pouca serventia, mas, por estar gostando do conforto que vinha dele não quis reclamar. O humor de Cecília muda de verdade quando vê Guilherme trazendo sua irmã e amiga. Vendo que ele a trazia em seus braços, Afonso corre e auxilia. Levam-na ao quarto de Guilherme, onde Cecília pede para dormir e Guilherme concorda. Depois de ver que todos estavam de acordo Cecília os põe do quarto para fora, pois precisava vestir Fani com roupas inteiras.
Ao acordar, vê Cecília ao seu lado. Um novo dia fez o coração de Fani mais calmo, então pôde sentir a felicidade da descoberta. Não era apenas Joaquim seu irmão, Cecília também. E que alma conseguia se comparar a dela? Criatura bondosa demais, onde jamais faltou afeto e boas palavras. Por certo, um anjo! Anjo cuja missão é protegê-la. “Sabe-se lá Deus o que seria de mim sem Cecília e sua bondade.” Pensa Fani. Ao menos algo bom teria de vir de uma história absurda como aquela.
- Como se sente? – Pergunta Cecília.
- Por ora, não tenho nenhuma definição. Sinto-me feliz, ganhei uma irmã. Mas todo o resto, Cecília, o resto... Trouxe-me desgraça. Além, de ter dilacerado meu coração. Preciso do tempo agindo em meu favor.
- Infelizmente, foste embora. Tenho mais a contar, se estiver disposta a ouvir-me. – Fani consente e Cecília inicia a narrativa contando-lhe do enfrentamento que houve entre ela, o pai e a mãe a respeito das coisas que ela mesma descobriu. Carmela sempre orgulhosa e achando-se a dona de toda a razão fora fortemente criticada por Cecília, já Justino que se comportava como alguém arrependido e que concordava com Cecília e seu argumento que dizia: “Fani deveria ter sido tratada como filha desde o seu nascimento”, não era tão crucificado por ela. Sua mãe implorou para ela não contar toda a verdade a Joaquim, pois sabia que ele jamais perdoaria os pais pela omissão dos fatos e nem a si mesmo por ter pecado, sofreria muito. Mas, era tarde demais. Ele ouvira toda a discussão entre eles. E aconteceu o inevitável: - Joaquim sofreu e ainda sofre. – Palavras da própria Cecília. – Por vários dias o vi lamentando, comendo pouco, arrumando-se pouco. Ele que já estava exaurido por sua causa, ficou ainda mais. Tive pena do meu pobre irmão.
- Do nosso irmão. – Fani diz, em tom melancólico.
- Sentirei ciúmes se disseres isso novamente. – Cecília brinca. – Então, isto é o fim de tudo que eu vim contar. Quando Joaquim soube que eu viria aqui contar-lhe toda a verdade até quis vir, mas, a falta de coragem lhe consumiu. Desisti de vir algumas vezes esperando que ele tomasse logo uma decisão. Até que a falta de paciência veio me consumir. E vim. – Não foram expressas palavras, contudo Fani achou bom ele não ter vindo. Um encontro com Joaquim não poderia deixa-la nem mais feliz nem mais infeliz.
E mais dias vieram. Fani continuava a agir de forma passiva e sem emoções. Totalmente sem vida. Cecília vez por outra arrumava pretextos para visita-la, com duas intenções: Fani e ver Afonso (pois ele estava passando uma temporada com Guilherme). Enamoraram-se um do outro, sempre igualmente felizes ao conversar e demonstrando sinceras preocupações. E quem resistiria a Cecília? Bonita, cheia de doçura e rica! Muito mais do que Afonso poderia esperar ou até merecer, pois não passava de um boêmio. Ao falar sobre ele a família, sua mãe desaprovou e quanto a seu pai não disse uma palavra. Mas, para Cecília a opinião de sua mãe não valia mais e estava disposta a ficar ao lado dele com ou sem o consentimento dela. E como seu pai nunca tinha feito objeções ela decide por continuar, pois acredita ter encontrado o amor. E Cecília não era a única que caminhava para o casório, Joaquim também e com uma moça que sua mãe até tolerava. E ele fora pessoalmente dar a noticia a Fani. Ao saber que ele tinha vindo com Cecília ela sentiu as forças em suas pernas se desvair, seu coração batia de um modo forte, seu rosto logo ficou pálido, sua boca não conseguia pronunciar palavras. Tomou alguns instantes para si e recuperou-se. Precisava por um fim aquilo e transferir aquele amor que ela sentia por ele para o amor dos laços familiares. Ele agora era seu meio irmão. E ela sabia que somente lhe restava aproveitar, já que por muitos anos pensou ser desprovida de familiares. Ao encontra-lo ela sentiu mais uma vez tudo que foi descrito anteriormente, ele por um pouco não chorou e Cecília depois de cumprimenta-la, os deixou a sós. Eles se olharam por um tempo em silêncio, em seguida ele aproximou-se e deu lhe um abraço carregado de emoções. Após isso, puderam falar. Ela começou pedindo que não lhe contasse sobre o que sofreu ao descobrir que são irmãos. Ele obedeceu.
- Não irei tortura-la com isso. Mas, não posso lhe negar o quanto lamentei e pedi perdão ao nosso Deus e somente graças a Ele com o tempo fui acostumando-me. E não pude vir lhe encontrar antes pela falta de coragem. No entanto, com os acontecimentos recentes senti que deveria fazê-lo.
- Então, conte-me os acontecimentos. – Ele já estava embaraçado antes de dizer e após respirar fundo, disse de uma vez:
- Irei me casar. – Ela o olhou surpresa, pensou “Como ele pôde esquecer-me tão rápido?”, mas, logo abandonou o pensamento. Já tinham se passado bons meses e ele estava em idade de casar. E por que ele prolongaria o pesar de tê-la perdido? Ao menos tendo alguém ao seu lado, poderia esquecer-se dela mais rapidamente e ainda, encontrar consolo e afeto. Por fim, deu-lhe as devidas congratulações. E quando ele quis dizer que a moça não era como Fani, esta o censurou:
- Obviamente que não é. Apesar disso, não lamente. Ela será sua esposa e vosmecê tem que respeitar e amar. Se continuar fazendo comparações só terá mais motivos para lamentar. – Notou que Fani continuava sensata como sempre. E ele lamentou. Mesmo ela tendo pedido que não o fizesse.
            No entanto, algo acontecia em paralelo à visita de Cecília e Joaquim. O senhor Guilherme tinha viajado uns dois dias antes de a visita acontecer. Seu destino era a capital, porém algo o impediu no segundo dia, ele começou a sentir-se muito mal. Tinha alta febre e dor de cabeça, não podia seguir em frente e decidiu ficar na próxima hospedagem que visse. Ao seu companheiro de viagem pediu para informar aos de sua casa o que tinha lhe ocorrido. Demorou um dia e uma noite para que a notícia chegasse a Fani e aos visitantes e já era bem tarde quando o rapaz chegou avisando. Nos primeiros planos ficou decidido que todos iriam para ver como Guilherme estava. Porém, a casa não poderia ficar sem nenhuma supervisão, advertiu Afonso, o chefe dos capatazes do engenho tinha uma péssima fama e certamente colocaria desordem lá se todos saíssem. Outro plano é arquitetado. Fani propõe que Afonso vá e cuide de Guilherme enquanto estiver enfermo e este plano era melhor, mas ninguém contava que Afonso teria um que, na cabeça dele, era infalível. Ele observa que Fani será mais útil: por ser mulher e ter mais jeito em cuidar dos outros. Mostra-se inútil quando diz ser desajeitado e nervoso, e que poderia colocar as recomendações do médico a perder devido a isso. Era tudo grande um artificio para deixar seu amigo e a amada dele mais tempo juntos e sozinhos. Por ser bom na arte da persuasão, todos concordaram incluindo Fani. Então, todos ajudam nos preparativos para a partida de Fani e o rapaz volta com ela até o local onde está o senhor Guilherme. O caminho foi longo e aflitivo para Fani, ela pensava: “Se algo acontecesse a ele, para aonde irei e onde encontrarei senhor tão bondoso? Em nenhum lugar, por certo. E ele, uma criatura tão bondosa, merece tal fim?” Não, ele não merecia. Por sorte, o dono da hospedagem deixou uma das empregadas cumprindo as recomendações do médico. A febre não estava baixa, no entanto, as alucinações já tinham cessado foi o que a mulher relatou, também repetiu tudo que o médico disse para fazer e Fani guardou todas as informações se prontificando para fazer tudo e além se estivesse ao seu alcance.
Passando tudo isso, ela sentou-se ao lado do leito em que ele estava deitado. Ele estava com uma aparência abatida, podia notar que tinha perdido um pouco das bochechas, em sua boca tinha fissuras e seu corpo somente ardia em febre. Ela sentiu uma lágrima saindo de seus olhos, temia a partida dele. Como enfrentaria outra perda? Embora achasse não podia correspondê-lo amorosamente, a bondade dele tinha trazido alivio nos piores dias. Embora sentisse que devia se controlar, não conseguia conter as lágrimas e agarrada à mão dele, ela suplicou a Deus fervorosamente para poupa-lo. “Ele não pode partir antes que eu lhe fale o quanto sou grata”, era o que ela pedia ao Grandioso. Notara que tinha passado muito tempo pensando somente em si, enquanto tinha ao seu lado alguém disposto a fazê-la bem e ela pediu perdão por seu egoísmo. Já sofrera demais com um assunto que não tinha solução, e prolongar seu sofrimento traria que beneficio? Prolongar só a deixaria mais infeliz e era isso que Guilherme tentava mostrar para ela. Sua noite foi dedicada ao arrependimento, às súplicas e às lágrimas.
E, então, Guilherme acorda.
Olhando que Fani sentada ao seu lado e dormindo com as vestes molhadas (pelas lagrimas), tomou um tempo para entender o que estava acontecendo, pois não sabia onde estava nem porque Fani estava ali e tampouco porque ele sentia-se tão fraco. Tentou mover-se e nessa hora, ela acordou. Viu nela um rosto exausto, porém, ela logo abriu um sorriso, beijou sua mão e expressou sua felicidade em vê-lo acordado:
- Finalmente Deus ouviu minhas preces! – Ela exclamou. – Deve estar faminto, mas antes que eu busque algo para o senhor comer, digam-me, como está?
- Fraco e sim, sinto fome. – Ele pôde observa-la agindo rapidamente em seu favor e dando-lhe todas as atenções, as que ele poderia esperar e as que ele não esperava receber. Ela estava mesmo radiante de felicidade. Agora, ela poderia enfim expressar a sua gratidão e somente deveria que esperar o momento certo para isso. Como Guilherme era um homem forte, recuperou-se e o momento certo aconteceu em seguida, quando voltavam para o Engenho São Lourenço:
- Lembro-me da primeira vez que avistei São Lourenço. – Ela disse para começar dando um fim ao silêncio e em resposta ele diz:
- Então essa sua lembrança deve ser triste, porque minha lembrança é somente de uma mocinha muito abatida entrando em minha casa.
- Sim, eu estava mesmo. Os meus dias mais melancólicos foram em São Lourenço. – Ela faz uma pequena pausa. Antes que ele diga algo, ela recomeça: - Mas, esses dias passaram e só não foram piores graças ao senhor. E o mínimo que pode ser feito por mim é agradecer-lhe. Do fundo do meu coração, senhor Guilherme, sou grata.
- A bondade deveria ser algo comum entre os homens, tão comum que não deveria gerar essa imensa gratidão. – Ela não esperava uma resposta como aquela. – Não me olhes dessa maneira, estou feliz que finalmente tenha decidido abrir-se comigo. Mal me dizias frases completas.
- Perdoe-me, por um longo tempo fui egoísta e pensei somente em meu próprio infortúnio. E além de decidir abrir-me contigo, eu decidi dar um fim ao meu sofrimento. Do que me adiantará continuar melancólica, amarga e retraída? – Ele responde:
- Não terá bons frutos se continuar plantando essas coisas, pois o que colhemos, plantamos. Veja a senhora Carmela, afligiu a tantos e hoje ela própria é afligida. Não tem o amor do marido e seus filhos lhe ouvem suas palavras a contragosto. Um fim como este não deve recair sobre ti.
- Não espero casar-me ou ter filhos. Contudo, agradeço que não ache apropriado que eu termine meus dias como a senhora Carmela terminará os dela, caso ela não mude. – Como ela não poderia esperar casar-se? Guilherme era viúvo, sim, mas, ainda estava em tempo de casar-se novamente. De tão contrariado que ficou ao ouvi-la dizendo aquilo, retrucou:
- Como não espera casar-se? E quanto a mim? Acaso, eu não lhe dou indícios suficientes que tenho afeição por ti? Ou então, eu não lhe sirvo? – Depois de ter dito não poderia mais para voltar atrás, então ele calou-se. Quanto a Fani só podia olha-lo com grande surpresa, jamais pensou que ele lhe diria tais coisas. Se dissesse, não seria daquela forma, Guilherme é sempre tão refinado em seus modos e em sua maneira de falar. Como esperar tal protesto? Depois de pensar um pouco, ela se ri e responde:
- É mesmo dessa maneira que me pedirá em casamento? – Ele também não se segura e ri.
- Perdoe-me a falta de jeito, senhorita. Se me permite tentarei novamente. – Ela assente com a cabeça e ele: - A uma moça tão bonita, jovem e inteligente como tu, esperar um casamento é natural. Eu mesmo me ponho à sua disposição, caso eu esteja a vossa altura e decida por me aceitar.
- Assim sendo, eu decido que sim.
E este é o fim da história: Guilherme termina com Fani; Cecília com Afonso; Joaquim com a moça que sua mãe tolerava; a senhora Carmela sofreu desprezo o resto de seus dias; e o senhor Justino pediu perdão a Fani.







Fim.
Por: Beatriz Brandão.

terça-feira, 31 de março de 2015

A Maldição de Elizabeth. Capítulo 3

 
                                                                                    Foto de Fernanda Brussi

Elizabeth estava sorrindo a toa. Ela estava sentada em sua penteadeira, desembaraçando os longos cabelos. Era manhã e ela havia acabado de se levantar. Depois de um banho, resolveu se arrumar, ficar ainda mais deslumbrante para Ferenc, que ainda estava no castelo. Ele havia dito que iria para casa no período da tarde, então eles teriam toda a manhã para conversarem.

Após desembaraçar as madeixas, ela resolveu deixa-los soltos. Saiu do seu quarto, empolgada, e desceu as escadas. No meio da descida ela deu de cara com Ferenc, que também estava descendo para tomar o café da manhã.

terça-feira, 10 de março de 2015

A Maldição de Elizabeth. Capítulo 2.

  

Foto de Fernanda Brussi.


Não parava de chover. O dia todo havia sido de chuva e frio. Elizabeth estava sentada em sua cama lendo um livro. Na verdade, não era um livro qualquer, era o seu livro preferido. A história falava sobre uma menina que era belíssima, e com isso, conseguiu as maiores riquezas. Apenas usando a sua beleza para encantar os homens ricos e tolos que apareciam em sua frente. Elizabeth se identificava com ela, porém, Elizabeth já nascera em uma família nobre, não lhe faltava mais nada. Apenas um noivo.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Helena. Capítulo I: Períodos difíceis.

    Na madrugada de 16 de maio de 1915, uma casa encontrava-se em chamas na calma cidade de Lírio, um choro de uma criança quebrava o silêncio da madrugada fria e pavorosa. Um bondoso homem que passava por ali entrou na casa em chamas afim de salvar aquelas pessoas em perigo, após entrar salvou a criança, procurou seus pais, e encontrou um homem desacordado no corredor e salvou-o, ao tentar salvar a mãe, que também estava desacordada sobre a cama, um pedaço do teto caiu sobre a pobre mulher, levando embora sua doce alma e estonteante beleza. O bondoso homem, que era fazendeiro, correu para fora e levou pai e filha a sua casa e os acolheu.
Passados 10 anos...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Maldição de Elizabeth. Capítulo 1; Parte 2


Foto de Fernanda Brussi.

Elizabeth volta para o quarto, cheia de ódio, e vai para a sua penteadeira.
Não acreditava que a sua própria mãe estivesse contra ela. Nunca imaginou isso vindo dela, afinal, uma mãe não deve apoiar a filha em qualquer situação?

sábado, 18 de outubro de 2014

Capítulo 1: O Grande Primeiro Encontro

- "Eu estava descendo as escadas para o jantar da nova aliança, não me agradava daquilo. Assim que terminei de descer as escadas notei uma pessoa um tanto peculiar. Não era o mais bonito, nem falante e não me pareceu sorridente, e talvez fosse o tipo de pessoa a qual eu deveria evitar. Cumprimentei a todos e me sentei de fronte ao ser esquio e sério, o encarei três segundos e tirei a vista."

A Maldição De Elizabeth. Capítulo 1, Parte 1.

 Foto de Fernanda Brussi.

Os Cabelos negros se soltavam do coque que ela havia feito durante a manhã. Ela soltou as longas madeixas e começou a examinar a sua pele: Perfeita. Incrivelmente branca, sem nenhuma mancha. Elizabeth sabia que era linda e tirava vantagens com isso. Todos os homens do reino a cortejavam, e ela já havia tido relações com a metade deles.