domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Maldição de Elizabeth. Capítulo 1; Parte 2


Foto de Fernanda Brussi.

Elizabeth volta para o quarto, cheia de ódio, e vai para a sua penteadeira.
Não acreditava que a sua própria mãe estivesse contra ela. Nunca imaginou isso vindo dela, afinal, uma mãe não deve apoiar a filha em qualquer situação?



- Eu sou a mais bela. – Falou para o seu reflexo no espelho. – Minha beleza será eterna.

Depois de um banho, Elizabeth decidiu sair novamente, sem avisar a ninguém para onde ia.
Foi para a cidade se encontrar com um camponês chamado Henrique. Os dois marcaram de se encontrar perto do poço antigo. Já era noite e todas as pessoas estavam dentro de suas casas com suas famílias.

- Achei que não virias. – Falou Henrique assim que ela chegou ao local marcado. Henrique era alto, e tinha cabelos negros sedosos. Seus olhos castanhos e a boca cheia eram de deixar qualquer mulher da cidade louca.

- Estava me arrumando...

- Para ficar ainda mais bela para mim. – Falou ele. Henrique segurou-a pela cintura e beijou-lhe o pescoço. - Cheirosa...

Elizabeth beijou-o com intensidade. Henrique abaixou a manga de seu vestido expondo-lhe os ombros despidos.

- Aqui não Henrique... – Falou Elizabeth. – Vamos para um lugar mais reservado.

- O que achas do celeiro?

- Acho perfeito. Ninguém irá interromper-nos por lá.

Quando Elizabeth chegou ao castelo já era muito tarde e seu pai estava nas escadas lhe esperando.
Seu pai, Jorge, era gordo e careca. Um pouco abaixo da estatura, ele fazia o tipo de pai ausente na vida da filha. Obviamente não sabia nem a idade que a menina e possuía agora. Elizabeth herdara os olhos azuis do pai. Somente isto, pois era muito parecida com a mãe.

- Onde estavas? – Perguntou ele.

- E-eu... – Gaguejou Elizabeth.

- Você o que? – Quis saber Jorge.

Ela tinha que pensar rápido em alguma coisa.

- Havia ido visitar a Trudy. – Mentiu Elizabeth. Trudy era uma amiga de Elizabeth, as duas se conheciam desde que eram crianças. Mas Elizabeth não via a amiga há dois anos.

- Sua mãe está preocupada. Poderias pelo menos ter nos avisado.

- Eu já estou aqui! – Falou Elizabeth revirando os olhos.

 Subiu as escadas para o seu quarto e ao abrir a porta encontrou sua mãe. Ela estava olhando pela janela, mas ao ouvir o barulho da porta se abrindo virou-se, aparentemente desesperada.

- Filha! Eu estava tão preocupada com você – Anna correu e abraçou a filha. – Onde estavas?

- Na casa da Trudy.

Anna olhou desconfiada para Elizabeth.

- Não mintas pra mim. – Falou Anna.

- Não estou mentindo.

- Estás sim. Você é minha filha e eu lhe conheço muito bem – Começou Anna – Sei quando estás mentindo ou falando a verdade.

Elizabeth não respondeu. Desvencilhou-se dos braços da mãe e andou em direção à cama ficando de costas para Anna.

- Estavas com outro homem? – Perguntou Anna.

- Por favor, mamãe! – Falou Elizabeth com ar debochado, virando-se para encarar Anna. – Pare de se preocupar demais, assim irá nascer mais rugas...

- Já chega! – Alterou-se Anna. – Eu não estou brincando!

- Eu também não! Eu estava com um homem sim! Eu estava com o Henrique, nós fizemos sex... – Elizabeth foi interrompida por receber uma bofetada de sua mãe no rosto.

- Os plebeus tem razão em chamarem-na de prostituta.

- Eu não sou uma prostituta!

- Cale a boca! – Advertiu Anna. – Você não tem o direito de falar nada!

Elizabeth estava com a mão no rosto. As lágrimas escorrendo pelas bochechas coradas, a qual uma agora estava inchada.

- Não estou acreditando no que te tornas-te. – Falou Anna com desgosto.

- Deverias ficar orgulhosa por mim mamãe...

- Não existem motivos para me orgulhar. – Disse Anna.

Elizabeth riu debochada.

- Eu sou a dama mais bela do reino! – Gabou-se.

- A beleza exterior não importa. Por dentro você é pode. – Falou Anna, com os olhos cheios de lágrimas. 
Tamanho era o desgosto que estava da única filha que teve.

- A senhora é tão fraca mamãe – começou Elizabeth. – Se deixa abalar com o que esse bando de mortos de fome pensam e falam.

Anna não respondeu.

- Os deixem falar!

-Você irá se arrepender por esse seu comportamento, Elizabeth. – Advertiu Anna. – Guarde bem minhas palavras.

- Ah é? – Riu Elizabeth. – E o que a senhora fará comigo?


- Eu? – Agora quem riu foi Anna. – Nada. A vida irá fazê-la pagar.

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