Foto de Fernanda Brussi.
Elizabeth
volta para o quarto, cheia de ódio, e vai para a sua penteadeira.
Não
acreditava que a sua própria mãe estivesse contra ela. Nunca imaginou isso
vindo dela, afinal, uma mãe não deve apoiar a filha em qualquer situação?
- Eu
sou a mais bela. – Falou para o seu reflexo no espelho. – Minha beleza será
eterna.
Depois
de um banho, Elizabeth decidiu sair novamente, sem avisar a ninguém para onde
ia.
Foi
para a cidade se encontrar com um camponês chamado Henrique. Os dois marcaram
de se encontrar perto do poço antigo. Já era noite e todas as pessoas estavam
dentro de suas casas com suas famílias.
- Achei
que não virias. – Falou Henrique assim que ela chegou ao local marcado.
Henrique era alto, e tinha cabelos negros sedosos. Seus olhos castanhos e a
boca cheia eram de deixar qualquer mulher da cidade louca.
-
Estava me arrumando...
- Para
ficar ainda mais bela para mim. – Falou ele. Henrique segurou-a pela cintura e
beijou-lhe o pescoço. - Cheirosa...
Elizabeth
beijou-o com intensidade. Henrique abaixou a manga de seu vestido expondo-lhe
os ombros despidos.
- Aqui
não Henrique... – Falou Elizabeth. – Vamos para um lugar mais reservado.
- O que
achas do celeiro?
- Acho
perfeito. Ninguém irá interromper-nos por lá.
Quando
Elizabeth chegou ao castelo já era muito tarde e seu pai estava nas escadas lhe
esperando.
Seu
pai, Jorge, era gordo e careca. Um pouco abaixo da estatura, ele fazia o tipo
de pai ausente na vida da filha. Obviamente não sabia nem a idade que a menina
e possuía agora. Elizabeth herdara os olhos azuis do pai. Somente isto, pois
era muito parecida com a mãe.
- Onde
estavas? – Perguntou ele.
-
E-eu... – Gaguejou Elizabeth.
- Você
o que? – Quis saber Jorge.
Ela tinha
que pensar rápido em alguma coisa.
- Havia
ido visitar a Trudy. – Mentiu Elizabeth. Trudy era uma amiga de Elizabeth, as
duas se conheciam desde que eram crianças. Mas Elizabeth não via a amiga há
dois anos.
- Sua
mãe está preocupada. Poderias pelo menos ter nos avisado.
- Eu já
estou aqui! – Falou Elizabeth revirando os olhos.
Subiu as escadas para o seu quarto e ao abrir
a porta encontrou sua mãe. Ela estava olhando pela janela, mas ao ouvir o
barulho da porta se abrindo virou-se, aparentemente desesperada.
-
Filha! Eu estava tão preocupada com você – Anna correu e abraçou a filha. –
Onde estavas?
- Na
casa da Trudy.
Anna
olhou desconfiada para Elizabeth.
- Não
mintas pra mim. – Falou Anna.
- Não
estou mentindo.
- Estás
sim. Você é minha filha e eu lhe conheço muito bem – Começou Anna – Sei quando
estás mentindo ou falando a verdade.
Elizabeth
não respondeu. Desvencilhou-se dos braços da mãe e andou em direção à cama
ficando de costas para Anna.
-
Estavas com outro homem? – Perguntou Anna.
- Por
favor, mamãe! – Falou Elizabeth com ar debochado, virando-se para encarar Anna.
– Pare de se preocupar demais, assim irá nascer mais rugas...
- Já
chega! – Alterou-se Anna. – Eu não estou brincando!
- Eu
também não! Eu estava com um homem sim! Eu estava com o Henrique, nós fizemos
sex... – Elizabeth foi interrompida por receber uma bofetada de sua mãe no
rosto.
- Os
plebeus tem razão em chamarem-na de prostituta.
- Eu
não sou uma prostituta!
- Cale
a boca! – Advertiu Anna. – Você não tem o direito de falar nada!
Elizabeth
estava com a mão no rosto. As lágrimas escorrendo pelas bochechas coradas, a
qual uma agora estava inchada.
- Não
estou acreditando no que te tornas-te. – Falou Anna com desgosto.
- Deverias
ficar orgulhosa por mim mamãe...
- Não
existem motivos para me orgulhar. – Disse Anna.
Elizabeth
riu debochada.
- Eu
sou a dama mais bela do reino! – Gabou-se.
- A
beleza exterior não importa. Por dentro você é pode. – Falou Anna, com os olhos
cheios de lágrimas.
Tamanho era o desgosto que estava da única filha que teve.
- A
senhora é tão fraca mamãe – começou Elizabeth. – Se deixa abalar com o que esse
bando de mortos de fome pensam e falam.
Anna
não respondeu.
- Os
deixem falar!
-Você
irá se arrepender por esse seu comportamento, Elizabeth. – Advertiu Anna. –
Guarde bem minhas palavras.
- Ah é?
– Riu Elizabeth. – E o que a senhora fará comigo?
- Eu? –
Agora quem riu foi Anna. – Nada. A vida irá fazê-la pagar.

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